A arte de ser autoconfiante sem ser arrogante

O arrogante chefia pela força; o autoconfiante lidera sem precisar se impor. Norberto Chadad, dá lições de como agir no ambiente de trabalho. Confira em mais um dos artigos exclusivos do Presidente da Thomas Case & Associados para o app da Revista Você S/A.

O rei Louis XIV, da França, foi procurado pelos seus assessores, preocupados posto que o rei proibira que se praticasse o protestantismo no país.

A França perdia muitos artistas e intelectuais com essa ação, por esse motivo os assessores ponderavam que seria melhor revogar a lei. A resposta do rei foi contundente: “L’État c’est moi”, traduzindo: “o Estado sou eu”.

A frase tem sido considerada a mais arrogante declaração de todos os tempos.

Em contrapartida, a sentença tem uma justificativa: vivia-se a era do absolutismo e o rei era considerado quase um deus – acima dos homens e da lei – e, chamado de Rei-Sol, Louis XIV uniu uma qualidade (convicção) e um defeito (arrogância) em uma única frase.

Fiz esta introdução, a partir de um fato histórico, para demonstrar que há uma grande diferença entre arrogância e convicção. No entanto, antes é preciso distinguir alguns pontos.

A palavra prepotência tem um sentido interessante. Indica uma posse ou um poder que alguém supõe possuir, mas que não necessariamente possui (no geral, o prepotente é menos poderoso do que apregoa ser). Já a palavra arrogância tem um sentido ligeiramente distinto: indica característica de uma pessoa que supõe ter um status, uma posição social ou profissional superior à posição das outras pessoas. O arrogante se acha maior e melhor. Às vezes, pode ser até que seja, porém, adotar uma postura como esta não é apenas antipático, mas também concorre para diminuir o respeito pelo arrogante e afastá-lo de grupos.

Dentro destes perfis de arrogância há aqueles que apresentam uma exagerada confiança em si mesmos e que impõem, de certo modo, os seus pontos de vista, seja pelo discurso forte, pelo tom de voz alto e/ou pela intolerância ao que os outros pensam do assunto. Em tese, os arrogantes vencem os debates pela força e muitas vezes são escolhidos para chefiar equipes nas empresas mais tradicionais e ultrapassadas. Isto porque chefiar, como sabemos, é diferente de liderar. Quase sempre, o arrogante é ou será um desagregador.

Logo, a pessoa que relaciona suas qualidades, habilidades e competências não precisa se impor, apenas tem segurança das próprias potencialidades. Esse profissional seguro de si é confiante. Tem consciência daquilo que sabe e defende sua perspectiva com firmeza, sem precisar sequer erguer a voz. Os fatos oriundos de motivos particulares comprovam suas palavras. Com esta tranquilidade, conquista o respeito e o apoio dos pares, superiores e liderados. Eis a convicção! Falamos, portanto, do profissional autoconfiante, aquele que usa seu conhecimento para dividir boas ideias e compartilhar o que assimila para o bem da equipe.

É a pessoa que se destaca naturalmente pelo seu preparo, mas que tem a humildade de não desvalorizar quem sabe menos ou que está em processo de amadurecimento. Este é um ótimo profissional. É um catalisador. E, certamente, será um bom líder.

 

 

Norberto Chadad

Presidente da Thomas Case & Associados