Veja como se planejar para tirar um período sabático de até 1 ano

Em entrevista para a Folha de S. Paulo, Felipe Carvalho, Gerente de Negócios Corporativos da Thomas Case & Associados, comenta sobre o desejo dos profissionais em passar um período fora do Brasil para repensar a carreira e a vida, porém devem preparar o bolso para a saída e para o retorno.

Por Danielle Brant

Tirar um tempo para repensar o rumo na carreira ou mesmo os caminhos da vida é algo que passa pela cabeça de muitos profissionais. Com algum planejamento -e dinheiro- é possível se organizar para se afastar do mercado de trabalho por um período e depois voltar sem grandes traumas, mesmo que em uma nova atividade.

Crédito: Alberto Rocha/Folhapress

Empresário Diogo Aguilar decidiu criar IntercâmbioDireto.com durante período sabático

Empresário Diogo Aguilar decidiu criar IntercâmbioDireto.com durante período sabático

Antes de oficializar o recesso, é preciso delinear minimamente para que vai servir o sabático. A intenção é ganhar mais bagagem profissional? Fazer um curso para aperfeiçoar o inglês? Definir o objetivo deve vir em primeiro lugar, sob o risco de o tempo dedicado ao período não servir para nada -a não ser que fazer nada seja a meta.

“O propósito vai determinar o custo do sabático. Se a pessoa quer descansar, se vai passar seis meses fazendo um curso de culinária, é uma coisa. Mas se quiser estudar algo específico, relacionado à profissão, o custo pode aumentar significativamente”, afirma o planejador financeiro Bruno Mori, da associação Planejar.

Programar como será o período em que não haverá entradas de renda é a outra etapa crucial do processo que antecede o sabático. Em tese, os especialistas recomendam começar a guardar o dinheiro o quanto antes.

“É preciso pensar que é necessário ter seis meses de reserva para qualquer emergência. Então, se começar a poupar 20% da renda dele por ano, em cerca de cinco anos vai ter o suficiente para tirar o sabático de seis meses”, diz Michael Viriato, professor do laboratório de finanças do Insper.

Como pouca gente consegue se organizar com tanta antecedência, recomenda-se fixar um prazo de no mínimo seis meses para minimamente desenhar um sabático.

Outro fator que pesa na estruturação do orçamento é o local escolhido para a temporada de afastamento.

No Brasil, o custo cai consideravelmente (ver simulação). Mas se a intenção for passar um tempo no exterior, além dos gastos com estadia, curso, transporte e alimentação, o profissional deve incluir o risco cambial. “Se ele pensar em ir para a França, é uma moeda [euro]. Se for Londres, é outra”, diz Mori, da Planejar. Há ainda o perigo de a moeda sofrer alguma valorização que encareça o sabático -ou mesmo inviabilize.

Para evitar a oscilação, a dica é, além de fatiar a compra da moeda durante os meses que restam até o sabático, aplicar parte do dinheiro em fundos cambiais, que acompanham a variação de divisas como dólar e euro.

A volta

No cálculo da reserva para o sabático é preciso contabilizar seis meses a mais de recursos para o caso de o profissional ter algum contratempo no retorno. “Muitas vezes pode ser difícil voltar ao mercado. O emprego não vai cair de bate-pronto”, afirma Viriato.

Não é raro que, durante esse período de contemplação, muitos decidam mudar de carreira.

Foi o que aconteceu com Diogo Aguilar, 27. Em 2015, ele decidiu passar um período fora do país com a namorada, Pamela Moraes. A meta era melhorar o inglês, escrever um livro e ganhar experiência pessoal.

Foram para Malta, país que fica no sul da Europa. Lá, diante das dificuldades que enfrentou para conseguir fechar as aulas de inglês, Aguilar teve a ideia de criar a IntercâmbioDireto.com, uma plataforma on-line que fizesse a ligação entre estudantes interessados em aprender inglês e escolas de oito países que ofereciam o ensino do idioma.

“Muitas vezes, na correria do dia a dia, você não consegue pensar no que quer fazer. Eu me redescobri, foi um momento de intensa reflexão.”

Para Viriato, do Insper, durante o sabático é preciso se preparar para essa mudança profissional. “É importante utilizar o período não só como uma forma de descanso, para tirar férias. É um período para refletir, reavaliar. Muitas vezes, tem que se preparar para uma mudança de carreira e aproveitar o sabático para fazer cursos ligados à nova área”, afirma.

Por tudo isso, a mudança pode vir acompanhada da queda no padrão de vida, diz Felipe Carvalho, gerente da assessoria profissional Thomas Case & Associados. “Muitas vezes o profissional vai ter que dar um passo atrás, recebendo menos. Às vezes, ele pode ter que fazer estágio para se inserir no mercado. Ele consegue se manter financeiramente?”, questiona.

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Thomas Case & Associados

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