Mais velhos precisam se atualizar para contornar baixo interesse das empresas

Enquanto algumas companhias resistem à ideia de contratar, outras apostam em programas interessantes para atender faixa etária mais avançada. Confira a participação de Deise Gomes, Gerente Executiva da Thomas Case & Associados Curitiba, para a Folha de Londrina.

Por Rafael Costa

É preciso algumas medidas para voltar a ser competitivo: abertura para novas tecnologias, “jogo de cintura” e tolerância entre os mais jovens é fundamental.

A tendência é irreversível: com o envelhecimento da população no Brasil, o mercado de trabalho também terá cada vez mais pessoas com idade avançada na ativa, seja pela necessidade continuarem trabalhando, seja porque se tornarão maioria. Mesmo assim, as empresas ainda resistem à ideia de contratar pessoas acima de 55 anos, dizem fontes ouvidas pela FOLHA.

“É a idade em que as dificuldades iniciam. Já entre 60 e 65, começa a ficar bem mais difícil”, conta Deise Gomes, consultora de carreira e Gerente Executiva da Thomas Case & Associados em Curitiba. As razões têm a ver com a expectativa por parte das empresas de que profissionais mais velhos não terão pique suficiente e serão resistentes a novas tecnologias e inovações.

“Acham, também, que serão mais caros, mais lentos e menos atualizados que os jovens”, conta o empreendedor social Mórris Litvak, fundador de um site que reúne profissionais acima de 50 anos a empresas, o MaturiJobs. “Mas há muitas pessoas mais maduras que podem ajudar a redefinir os estereótipos”, garante.

Atualização e novas tecnologias

Para garantir uma vaga nesta faixa etária, será preciso tomar algumas medidas para voltar a ser competitivo. A consultora Deise Gomes recomenda, para início de conversa, se abrir para a tecnologia. “Aquele que que, por ser mais velho, diz não quer olhar a internet, participar de fóruns, entender a indústria 4.0 ou sequer fazer um Power Point está fechando as portas naturalmente”, diz. “Independentemente da sua idade e das suas convicções, a tecnologia é uma realidade.”

Em segundo lugar, é preciso ter “jogo de cintura” e tolerância com os mais jovens. “Temos uma geração com muitas peculiaridades hoje. Ela quer tudo para ontem, não liga para estabilidade, começa as coisas e não termina, é muito veloz e, talvez, não tenha tanta maturidade. Um profissional mais maduro pode se irritar com esse tipo de coisa”, explica Deise. “Ele precisa demonstrar ao mercado de trabalho que tem essa flexibilidade.”

Por fim, nada de parar de se atualizar. Há profissionais que se graduaram há décadas e nunca mais voltaram aos estudos. Nesses casos, a dificuldade será ainda maior, diz Deise.

Há ainda uma recomendação que vale também para profissionais mais jovens em busca de recolocação: é preciso se abrir a outras formas de trabalho além da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). “Não devemos focar só no modelo que conhecemos, com contratação, 13° e férias. Abrir-se a alternativas minimiza a dificuldade”, diz a consultora. “Pode ser que pessoas com mais idade tenham, no futuro, maior dificuldade de emprego, mas não necessariamente de trabalho.”

Estas demandas vão se impor com mais força nas décadas seguintes, quando o mercado, gradativamente, passará a ter menos jovens. “A demografia vai impor essa questão”, diz Daniel Nojima, diretor do Centro de Pesquisas do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social). “Assim como há concorrência por emprego entre jovens, creio que haverá entre os mais idosos também. As pessoas vão ter de começar a se preocupar com qualificação, iniciativa e desapego a antigas formas de trabalhar, porque o próprio mercado aplicará seus filtros.”

Comprometimento bem acima da média

Se o tempo impõe um esforço extra para não ficar para trás no mundo do trabalho, pessoas mais velhas também têm vantagens em relação aos jovens. Uma delas, segundo o fundador do site MaturiJobs, Mórris Litvak, é o comprometimento.

“Muitas empresas sofrem com a falta de comprometimento dos jovens, mesmo tendo custos altos de treinamento. O autocentrismo é mais alto entre eles”, diz. “Além disso, os mais velhos têm um equilíbrio emocional maior, maiores habilidades para lidar com pessoas, mais calma e atenção.”

Algo parecido é defendido pela Gol Linhas Aéreas – uma das poucas grandes empresas que mantêm programas ou políticas de contratação voltadas para profissionais mais velhos. A companhia lançou o programa “Experiência na Bagagem”, em 2017.

“Mesmo antes da implementação (do programa), a Gol já possuía em seu quadro de funcionários colaboradores seniores. O programa surgiu quando, por meio de estudos internos, constatamos que esses profissionais possuem alto grau de comprometimento, amplo conhecimento e motivação, além de muita experiência na bagagem, trazendo mais equilíbrio, empatia e vantagem competitiva para empresa”, diz a companhia, por meio de sua assessoria de imprensa. A empresa cita, ainda, vantagens como “aptidão para assumir postos que em outras ocasiões exigiriam treinamento prévio para pessoas mais jovens”, “envolvimento e a disponibilidade de tempo quando comparado a profissionais mais jovens”.

Ana Helena Sonoda, 60, foi uma das contratadas. Com formação em Gestão de Negócios e mais de 20 anos de experiência na área administrativa, ela vinha ouvindo não atrás de não. “Estava até me sentindo um pouco por baixo”, conta Ana Helena, que hoje trabalha na companhia no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. “Diziam que achavam que eu era velha demais, ou que a vaga havia sido preenchida”, conta.

O novo trabalho a motivou a retomar os estudos: para atender melhor os viajantes, Ana Helena começou recentemente a cursar Letras – Inglês. “Tenho uma gratidão enorme, porque, além da oportunidade, também mudei meu jeito de enxergar as coisas. Acabou me estimulando”, conta.

Cotas

Embora o interesse no tema esteja aumentando nas empresas, na avaliação de Litvak, as iniciativas neste sentido ainda são isoladas.

Está em tramitação no Senado um projeto de lei (236/2017) para criar uma reserva mínima de vagas para empregados a partir de 55 anos de acordo com o tamanho da empresa. A consultora de carreira Deise Gomest também diz que já há, no mercado, companhias que trabalham com cotas.

Independentemente de incentivos dessa natureza, no entanto, a tendência é que, num futuro não tão distante, a faixa de idade entre 25 e 40 anos, que concentra a maioria das vagas hoje, vá perdendo importância para pessoas entre 50 e 64, que hoje correspondem a cerca de 21% das pessoas ocupadas no Paraná (por volta de 1,16 milhão de pessoas), segundo Daniel Nojima, diretor do Centro de Pesquisas do Ipardes. “O mercado buscará quem estiver disponível”, prevê.

Link da publicação: http://bit.ly/2Pxy5JD

Thomas Case & Associados

Ao longo de 41 anos de atividades, nossos especialistas em Transição de Carreira, Outplacement, Coaching, Executive Search e Desenvolvimento contribuem com reportagens para diversos veículos de comunicação do país, por isso, a Thomas Case & Associados é considerada uma das principais fontes para consultas.

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