A valorização dos seniores no mercado de trabalho

Contratação de profissionais com mais de 50 anos torna-se tendência em empresas que buscam obter sucesso na integração com juniores. Confiram a participação de Marcia Vazquez, Gestora do Capital Humano da Thomas Case & Associados, na reportagem da Revista Segurança & Negócios – da Gocil, maior empresa de segurança e multisserviços do Brasil.

Por Rodrigo Coutinho | Fotos de Fábio Mendes

Em uma era moderna e tecnológica, em que o mercado de trabalho é dominado pela contratação de profissionais da geração Z, que priorizam o trabalho informal e reconhecimento a curto prazo, a contratação de profissionais maduros se torna estratégica em algumas empresas.

Segundo dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), em 2017, o percentual de profissionais de 50 a 65 anos no mercado formal foi de 16,7%, sendo 2,5% acima em relação a 2016.

No mesmo ano, a empresa de companhia aérea Gol lançou o programa Experiência na Bagagem, que consiste na contratação de profissionais seniores para diversas áreas.

“O programa surgiu quando, por meio de estudos internos, constatamos que esses profissionais possuem um alto grau de comprometimento e entusiasmo, além de excelente capacidade de comunicação, flexibilidade, sensibilidade para identificar e lidar com diferentes tipos de público, valores que são priorizados pela empresa”, explica Jean Nogueira, diretor-executivo de Gente e Cultura da Gol.

Atualmente, a companhia aérea possui cerca de 1.800 colaboradores com mais de 50 anos em seu quadro de funcionários. Todos são estimulados a desenvolver suas capacidades e a aprimorar a sua atuação no dia a dia para a ocupação futura de novos cargos.

“Eu já estava convencida de que a minha idade era um empecilho para conseguir trabalho. Hoje ocupo uma das 40 posições de auxiliar de aeroporto na Gol, como parte de um programa de recrutamento só para profissionais mais velhos”, comenta Ana Helena Sonoda, auxiliar de aeroporto da Gol, contratada pelo projeto Experiência na Bagagem.

Uma pesquisa da FGV e da PwC aponta que, até o ano de 2040, 57% da força de trabalho no Brasil será composta por pessoas acima de 45 anos.

Pensando em atender a essa demanda, o empreender Mórris Metrak decidiu criar a Maturijobs, uma startup de recrutamento e desenvolvimento de carreira destinada a pessoas com mais de 50 anos.

“Fundei a Maturijobs em 2014, devido a uma experiência que tive com a minha avó paterna. Aos 80 anos ela era totalmente ativa e trabalhava bem, mas devido a um acidente teve que se afastar. Vi sua saúde física e mental declinar.”

Motivado por esse e outros acontecimentos, Mórris criou a plataforma on-line em 2014 e hoje, possui cerca de 80 mil seniores cadastrados em sua base de dados. Mais de 700 empresas, dentre elas o Grupo Gpabr, Philips e PwC Brasil, recrutam profissionais todos os dias por meio da criação do empreendedor.

Seniores e juniores trabalhando juntos

No processo de contratação e integração dos colaboradores seniores, as empresas defendem a interação dos profissionais mais jovens como uma forma de aprendizado e desenvolvimento organizacional. É o que os gestores da Gol acreditam. “Os profissionais mais jovens sabem que o sênior tende a somar sua experiência e serenidade para a equipe, além de, por diversas vezes, também estar aberto a novas experiências. Com a integração destes profissionais é possível manter o clima de jovialidade e maturidade entre os nossos colaboradores”, comenta Jean Nogueira, da Gol.

“Interessante é perceber que os profissionais mais jovens são rápidos, principalmente em questões que envolvam tecnologia, e nós, os mais experientes, somos pacientes durante o atendimento. Essa parceria resulta em um aprendizado enriquecedor. Gosto muito de trabalhar com pessoas de diferentes idades na Gol”, explica Ana Helena.

Marcia Vazquez, gestora de Capital Humano da Thomas Case & Associados, consultoria com mais de 40 anos de atuação na gestão de carreiras e RH, defende que a interação do profissional sênior e júnior na organização é de extrema importância para manter o equilíbrio da companhia, pois possibilita a continuidade de cargos. “Aos seniores cabe a formação de seus sucessores e o trabalho de gestão do conhecimento no negócio. A interação entre os seniores e os mais jovens é o mote da construção de um plano de pós-carreira, tanto para a empresa quanto para o profissional”, finaliza.

Link da publicação da revista on-line: http://bit.ly/2B1bxbB

 

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Thomas Case & Associados

Ao longo de 42 anos de atividades, nossos especialistas em Transição de Carreira, Outplacement, Coaching, Executive Search e Desenvolvimento contribuem com reportagens para diversos veículos de comunicação do país, por isso, a Thomas Case & Associados é considerada uma das principais fontes para consultas.

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