Pós-graduação fora do país deve ser alinhada a plano de carreira

Processos seletivos de empresas valorizam habilidades adquiridas em temporada no exterior. Confiram a participação de Fatima Meneghetti, VP de Executive Search da Thomas Case & Associados, no Especial Pós-Graduação do jornal impresso e online da Folha de S. Paulo.

Por Lisandra Matias | Fotos de Bruno Santos (Folhapress)

A instabilidade econômica e a insegurança com o mercado de trabalho têm motivado cada vez mais brasileiros a buscarem cursos de pós-graduação no exterior.

“Há cursos lá fora muito bons, que são mais baratos ou com valor próximo do cobrado aqui”, diz Neila Chammas, diretora da Brazilian Educational & Language Travel Association, que reúne instituições do país que trabalham com programas de educação e emprego no exterior.

Antes de decidir largar a vida no Brasil, porém, o candidato deve avaliar suas motivações, sua disponibilidade financeira e fazer um planejamento de carreira.

“A primeira coisa a fazer é se perguntar e ter claro o que se quer com essa pós. Pode ser para melhorar o currículo, crescer na carreira, ter inglês avançado, experiência de vida ou um período sabático bem aproveitado no exterior”, afirma Neila.

Hoje, a tendência é partir para uma pós fora do país cada vez mais cedo, diz Maria Leonor Alves Maia, presidente da Associação Brasileira de Educação Internacional. “Muitos estudantes vão logo após a graduação”, diz.

Não há, porém, hora certa para fazer essa viagem. De acordo com a psicóloga Andrea Sebben, que trabalha com a preparação de executivos e estudantes para viver em outro país, de modo geral, quem está feliz com a carreira, financeira e emocionalmente, não quer sair do país.

É preciso levar em consideração antes de fazer as malas, por exemplo, a condição financeira para bancar o curso, a viagem e a estadia. Se houver possibilidade de conseguir uma bolsa de estudos, a tarefa fica mais fácil.

Em casos de cursos stricto sensu (mestrado e doutorado), é mais fácil fazer o mestrado no Brasil e só depois viajar. “Isso tem a ver com a política de incentivo do governo brasileiro para pós no exterior, que tem oferta de bolsa e foco maior no doutorado”, afirma Neila.

Quem opta por fazer uma pós-graduação fora do país não busca apenas o certificado, o que um curso no Brasil também daria, mas também uma vivência internacional, o conhecimento de uma outra cultura e a possibilidade de fazer networking com pessoas de outras nacionalidades.

Processos seletivos de empresas valorizam muito essas habilidades comportamentais que se adquirem numa temporada fora do país, diz Neila.

Também há vantagens para a carreira acadêmica. “Para os pesquisadores, horizontes se abrem ao conhecer novas metodologias e abordagens de temas e há possibilidade de trocar informações e de atuar em redes internacionais de conhecimento”, afirma Maria Leonor.

Especialistas em carreira alertam, porém, que nem sempre uma pós-graduação no exterior traz reconhecimento e retorno financeiro.

A escolha do programa deve estar alinhada ao plano de carreira e ao projeto de vida. “Quem permanece mais tempo fora do país ou em curso distante da área corre riscos maiores de ficar meio fora do mercado e do relacionamento com outros profissionais e superiores”, afirma Fatima Meneghetti, vice-presidente da Thomas Case & Associados, consultoria que atua na área de gestão de carreiras e RH.

Caso a pós fora seja a melhor opção, é preciso avaliar as referências da instituição de ensino e a identificação com a cidade e o país de escolha —considerando cultura, clima e custo de vida.

Depoimentos

‘A bagagem técnica e a fluência em inglês são meus diferenciais’

“Desde o início do meu doutorado em bioinformática eu tinha vontade de estudar no exterior. Essa oportunidade surgiu entre 2015 e 2016, quando morei em Toronto, no Canadá, e fiz doutorado sanduíche no Ontario Institute for Cancer Research (OICR). Assim que concluí o curso, já no Brasil, fui contratado pela Dasa, empresa de medicina diagnóstica. O amadurecimento que tive durante o estágio internacional foi fundamental para a minha contratação. A bagagem técnica, a habilidade que adquiri para a exposição de ideias e a fluência no inglês são diferenciais.”

Rodrigo Guarischi Sousa, 31 anos, bioinformata, fez doutorado sanduíche no Canadá

 

`Fui buscar áreas de conhecimento que engatinham no Brasil’

“Após concluir meu curso de medicina no Brasil, fiz mestrado na Universidade de Miami, nos Estados Unidos, entre 2016 e 2018. Fui incentivado por um professor brasileiro a buscar conhecimentos de áreas que, no Brasil, ainda estão engatinhando —fora a dificuldade financeira para realização de pesquisa. Desde que voltei sou pesquisador do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo. A vivência no exterior me proporcionou conhecer diferentes linhas de pesquisa e modos de pensar, além da capacidade de ter de me virar em outra língua para expor minhas ideias.”

Luís Felipe Sávio, 28 anos, médico, fez mestrado nos Estados Unidos

 

`Minha pós no exterior era sempre o primeiro assunto em entrevistas’

“Iniciei meus preparativos para a viagem com um ano e meio de antecedência. Guardei parte do salário, voltei a estudar inglês e reuni cartas de recomendação. No início de 2017, comecei um MBA em marketing internacional na EU Business School. Iniciei os estudos na Alemanha e tive dificuldades devido ao clima e à língua que eu não conhecia. Depois, na Espanha, as coisas foram mais fáceis, fui fazendo amizades. Quando voltei, a minha pós no exterior era sempre o primeiro assunto nas entrevistas de trabalho. Em dois meses, estava recolocada.”

Geovana Rodrigues, 28 anos, analista de negócios, cursou MBA em marketing na Alemanha e na Espanha

Link da publicação: http://bit.ly/2Urig6d

Thomas Case & Associados

Ao longo de 41 anos de atividades, nossos especialistas em Transição de Carreira, Outplacement, Coaching, Executive Search e Desenvolvimento contribuem com reportagens para diversos veículos de comunicação do país, por isso, a Thomas Case & Associados é considerada uma das principais fontes para consultas.

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