Conheça a síndrome que fez Izabella Camargo ser demitida da Globo

A doença também é conhecida como síndrome do esgotamento profissional e denominada pelo psicólogo alemão Herbert Freudenberger. Confiram a participação de Marcia Vazquez, Gestora do Capital Humano da Thomas Case & Associados, na matéria feita pelo Yahoo.

Por Melissa Santos

A jornalista Izabella Camargo virou notícia ao ser desligada da Globo. O fato aconteceu depois que Izabella retomou de sua licença médica. Ela foi afastada por conta de uma Síndrome de Burnout.

A doença, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional e denominada pelo psicólogo alemão Herbert Freudenberger, é caracterizada por um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional.

Segundo dados do International Stress Management Association no Brasil, 72% da população economicamente ativa do Brasil possui altos níveis de estresse. Desses, 32% desenvolveram Burnout.

A pesquisa foi realizada com 1.000 funcionários de Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP), que responderam ao questionário anonimamente. Segundo os dados, 92% dos profissionais com Burnout se sentem incapacitados, mas continuam trabalhando por receio de serem demitidos.

Segundo Gabriela Malzyner, psicóloga e psicanalista, trata-se de um distúrbio de caráter depressivo que gera desgaste físico, mental e psicológico acarretando cada dia mais esforço para produzir resultados, levando ao esgotamento e, por fim, ao afastamento das atividades profissionais.

Malzyner explica que a síndrome se manifesta de formas diferentes para cada um e não são todos os sintomas que se manifestam sempre. “Muitas pessoas sentem insônia, estresse, sudorese, ansiedade, desconforto, apreensão, dificuldades ligadas ao trabalho e relações afetivas”, conta.

Além de muitas vezes precisar se afastar das atividades, o paciente precisa ter um tratamento multidisciplinar com psiquiatra e um psicólogo.

Na opinião de Rodrigo Vianna, CEO da Mappit, consultoria de recrutamento e seleção, o preconceito com doenças psicológicas é uma realidade não só no mercado de trabalho, mas em diversos âmbitos sociais. “Muito se discorre sobre o assunto e acredita-se que por não serem doenças fisicamente visíveis e palpáveis, são menos consideradas e, consequentemente, mais negligenciadas”, acredita.

Mas o CEO da Mappit avalia que os problemas relacionados à saúde mental começaram a receber mais atenção nos últimos anos no Brasil. “Prova disso é que algumas empresas passaram a se inspirar em multinacionais que investem na qualidade de vida e saúde dos funcionários. Benefícios como horários flexíveis e home office costumam ser muito valorizados pelos profissionais e contribuem positivamente para a qualidade de vida. Além disso, a transparência da comunicação interna também é importante para propiciar um ambiente de trabalho mais saudável”, avalia.

Para Marcia Vazquez, Gestora de Capital Humano da Thomas Case & Associados, consultoria de atuação na gestão de carreiras e RH, cabe às empresas e lideranças estarem disponíveis para conhecer, acompanhar, apoiar e auxiliar os colaboradores, além de entender suas limitações e dar espaço para expressão de sentimentos, facilidades e dificuldades.

“Ao criar um ambiente de cooperação e entendimento, além do ambiente da competitividade, a busca de resultados e realizações vai melhorar. É possível gerar ‘dinheiro’ com a satisfação das necessidades individuais e grupais e de gerar ‘lucro’ em conjunto com a felicidade dos indivíduos. Isto depende da cultura e valores organizacionais e da vontade das pessoas. Não é utopia. Pode ser a realidade!”, fala Vazquez.

Na opinião dos especialistas, um trabalhador que tenha se afastado por conta de Burnout não necessariamente precisa mencionar o tópico em uma entrevista de emprego. “Na conversa com o recrutador, não é necessariamente regra mencionar o ocorrido. Dependendo do rumo que a entrevista seguir, o candidato deve ficar atento se cabe a menção na conversa. Caso esse tema seja abordado, é preciso que o candidato informe que já está cuidando devidamente dessa questão de saúde, portanto a situação está sob controle e o profissional fará o seu melhor para que isso não comprometa o resultado do trabalho”, opina Vianna.

Ponto de vista jurídico

De acordo com os advogados ouvidos pelo Yahoo, o que aconteceu com Izabella na Globo é comum em várias empresas. “Muitas vezes isso acontece por mero desconhecimento sobre transtornos mentais e dificuldade de diagnóstico. Como o Burnout causa um esgotamento da energia do profissional, seu ritmo de trabalho diminui. Como consequência, diversas empresas ainda associam o Burnout à baixa performance”, explica Boriska Rocha, advogada trabalhista do SV Law.

Aldo Augusto Martinez Neto, advogado trabalhista do Santos Neto Advogados, explica que o empregado que está doente não pode ser demitido, mas, ao revés, deve ser afastado do trabalho para tratamento e recuperação. “Cabe ao médico do trabalho contratado pela empresa atestar eventual incapacidade laborativa do empregado. Nos 15 primeiros dias de afastamento é a empresa quem arcará com o salário do empregado e, a partir do 15º dia de afastamento, o empregado será encaminhado à Previdência Social para dar entrada no benefício previdenciário. Existem dois tipos de benefícios nessa situação: auxílio doença comum, sem relação direta com o trabalho e auxílio doença acidentário, nas hipóteses em que a incapacidade laborativa decorre de acidente de trabalho ou doença relacionada com o trabalho.

“A Lei 8.213/1991 prevê, em seu artigo 118, que o trabalhador que sofreu acidente do trabalho ou foi acometido por alguma doença do trabalho, tem garantida, pelo prazo mínimo de 12 meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após o término do afastamento. Ou seja, quando do retorno ao trabalho, o empregado não poderia ser desligado durante o período de um ano. Em alguns casos, as empresas optam por indenizar esse período, pagando o valor correspondente à remuneração que seria devida nesse período. Assim, se a Síndrome de Burnout for caracterizada como decorrente do trabalho (mediante laudo médico específico, emitido por um especialista) exercido pelo empregado na empresa, ele não poderia ter seu contrato rescindido”, explica Daniela Yuassa, advogada trabalhista do Stocche Forbes Advogados.

Link da publicação: http://bit.ly/2tjWPZc

Thomas Case & Associados

Ao longo de 41 anos de atividades, nossos especialistas em Transição de Carreira, Outplacement, Coaching, Executive Search e Desenvolvimento contribuem com reportagens para diversos veículos de comunicação do país, por isso, a Thomas Case & Associados é considerada uma das principais fontes para consultas.

One thought on “Conheça a síndrome que fez Izabella Camargo ser demitida da Globo

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