Mentoria reversa: saiba como funciona quando os mais experientes recebem mentoria dos mais jovens

Nos programas de mentoria reversa, os diretores e CEOs recebem dicas e aprendizados dos iniciantes. Confiram a participação de Norberto Chadad, Presidente da Thomas Case & Associados, no portal Yahoo Finanças.

Por Melissa Santos

É natural querer ter um mentor para absorver conhecimentos e se desenvolver cada vez mais profissionalmente. No entanto, esqueça a história de que só os mais experientes podem inspirar os mais jovens. A prova disso são os programas de mentoria reversa, que estão cada vez mais comuns nas empresas, em que os diretores e CEOs recebem dicas e aprendizados dos iniciantes.

“Quando pensamos em relações de mentoria, automaticamente enxergamos profissionais mais velhos guiando os mais novos, oferecendo insights e ganhos através de anos de trabalho e de muita experiência. Na mentoria reversa, o que acontece é exatamente o contrário: são jovens conduzindo os veteranos”, explica Norberto Chadad, Presidente da Thomas Case & Associados, consultoria de gestão de carreiras e RH.

A ideia da prática é que ambos possam usufruir da troca de experiências e a organização como um todo evolua. “Um dos maiores benefícios é justamente a interação entre todas as gerações da companhia. Esse tipo de ação promove uma inclusão muito maior entre todos os níveis, gerando mais efetividade no engajamento, na aproximação, na convivência. E essa aproximação das gerações mais jovens com mais seniores é muito positiva para o negócio como um todo”, afirma João Marcio Souza, CEO da Talenses Executive – divisão do Grupo Talenses especializada em recrutamento C-level.

Além dessa integração, Souza também pontua como benéfico o desenvolvimento mútuo das gerações. “Essa é uma ótima oportunidade de profissionais mais seniores entenderem os propósitos e motivações dos mais jovens, é uma troca muito interessante e positiva para o trabalho”, avalia.

Na opinião de Chadad, ainda não se percebe o grande potencial que pode ser despertado nas pessoas de diversas gerações com a mentoria reversa. “O único propósito deve ser a troca de conhecimentos, habilidades e competências independente de posição, idade cronológica, formação acadêmica. É importante também que esse tipo de troca de conhecimento entre gerações esteja na cultura da empresa”, avalia.

Cada vez mais as empresas estão adeptas a ações como mentoria reversa, já que temas como inovação e digitalização nunca foram tão importantes para qualquer estratégia de negócio. “Uma empresa que ainda não percebeu essa nova realidade fica para trás. É notório que os jovens têm maior facilidade para acompanhar, aprender e se adaptar as mudanças, pois nasceram em meio a essa profusão de informações. Assim, a mentoria reversa é uma ferramenta poderosa, pois amplia o desenvolvimento profissional por meio de troca de conhecimentos entre gerações, atrai e retém talentos mais jovens, melhora o clima organizacional e gera um frescor de ideias para as empresas”, pondera Chadad.

Atualmente, as empresas de Tecnologia, em especial e-commerce e CRM, investem mais nesse tipo de ação. “Mas empresas de telecomunicações, alimentícias e indústrias de cosméticos e produtos de limpeza também tem começado a adotá-la, pois com o cenário de imprevisibilidade, abre-se um mundo de possibilidades e de oportunidades às novas gerações e às organizações. Tendência natural para qualquer empresa em segmento, porte ou nacionalidade, pois as novas tecnologias e os novos recursos digitais estão cada vez mais presentes em nossos lares e estende-se no âmbito dos negócios”, fala Chadad.

Tanto Souza quanto Chadad avaliam que o RH da companhia precisa estar maduro em termos de estrutura e governança para que um programa como esse funcione. “A área de RH da empresa precisa ter voz ativa, pois esse programa é muito inovador. Então, a organização precisa ter um RH que tenha respeitabilidade, credibilidade e voz ativa forte para implementar algo dessa natureza, porque o departamento de RH é o protagonista nesse tipo de ação”, opina Souza.

Na prática, o CEO da Talenses Executive recomenda que o programa seja apresentado com um case de mercado, que evidencie como esse tipo de ação funciona, e que mostre também como essa mentoria reversa deve funcionar na cultura e no segmento da empresa em questão. “A partir disso, caso a ideia seja aceita, pode-se desenhar um programa piloto. O mais importante a se entender é que uma mentoria nunca pode ser uma ação impositiva, tem que ser um processo voluntarioso, as pessoas precisam se interessar pelo tema e se inscreverem espontaneamente”, explica.

Para Chadad, a área de Gestão & Gente deve estar muito mais antenada, pois um liderado pode estar à frente do líder em questões de soluções, já que os mais novos são natos nesta dimensão. “Entretanto ambas as partes devem aprender verdadeiramente uma com a outra e estar disponíveis para partilhar. Além disso, para que um projeto de mentoria reversa tenha sucesso, é preciso equilíbrio entre o tradicional e o novo, pois um depende do outro. Cada um de nós tem sua experiência em determinado assunto”, finaliza.

Link da publicação: http://bit.ly/2TsDnUR

Thomas Case & Associados

Ao longo de 42 anos de atividades, nossos especialistas em Transição de Carreira, Outplacement, Coaching, Executive Search e Desenvolvimento contribuem com reportagens para diversos veículos de comunicação do país, por isso, a Thomas Case & Associados é considerada uma das principais fontes para consultas.

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