Carreiras em risco: as profissões que não devem existir por muito mais tempo

Relembre algumas atividades que perderam espaço e aquelas que podem ser extintas. Confiram a participação de Ricardo Munhoz, Diretor Executivo da Thomas Case & Associados Porto Alegre, em entrevista para o Jornal Zero Hora.

Por Camila Kosachenco

Nativos digitais, que resolvem praticamente tudo com alguns toques no smartphone, mal podem imaginar que, não muito tempo atrás, era preciso tirar o telefone do gancho, discar para uma central telefônica e solicitar uma ligação a um alguém do outro lado da linha, a telefonista. Bem mais burocrático do que o processo atual, o ritual acima caiu por terra com a chegada da tecnologia e automação das companhias telefônicas. Reflexo disso foi o quase desaparecimento da profissão, bastante comum no século passado.

Não tão distante assim, diversos institutos e universidades trabalham para apontar quais profissões também estão quase à míngua, derrotadas, principalmente, pela evolução da tecnologia. As apostas são inúmeras e vão desde caixa de banco até secretários, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Sapiens, da França.

Aqui no Brasil, a Universidade de Brasília (UnB) divulgou uma pesquisa recente elencando as profissões em risco, que deve resultar em 30 milhões de brasileiros substituídos por robôs até 2026. Do total de 2.602 profissões, taquígrafos, torradores de café, cobradores de transporte coletivo e recepcionista de hotel lideram o ranking. Em Porto Alegre, a depender de um projeto de lei que aguarda votação na Câmara de Vereadores, os cobradores de ônibus podem rarear mais rápido do que se possa imaginar.

Perda de espaço

O especialista em gestão de carreiras Ricardo Munhoz, coach e diretor executivo da Thomas Case & Associados, prefere não falar em extinção de uma profissão. Ele acredita que algumas ocupações terão uma diminuição drástica nos próximos anos, principalmente relacionada com duas grandes tendências evidentes no mercado: uma tecnológica, na qual aumenta a robotização, e outra econômica, que seria o empoderamento das classes D e E, impulsionando a mudança de carreira ao longo das gerações.

— Os alfaiates, por exemplo, vêm diminuindo. Você dificilmente os encontra, pois é uma profissão antiga que não é passada de geração para geração e não há relação com a tecnologia. As domésticas também. No futuro, a tendência é uma diminuição, pois, hoje, elas têm uma condição financeira melhor e querem os filhos na faculdade — explica o profissional.

Além do que indicam as pesquisas recentes, Munhoz destaca algumas atividades que, em um período de médio e longo prazo, devem ter uma redução significativa.

— Acreditamos que, em um curto espaço de tempo, vão estar desaparecendo os corretores de imóveis, profissionais de bancos, agentes de viagens e operadores de telemarketing. Tudo isso está muito relacionado à robotização e à tecnologia.

Para Daniela Boucinha, coordenadora do PUCRS Carreiras, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), tudo que é muito operacional tende a cair no esquecimento.

— Tudo o que é operacional, a tendência, é que seja substituído por tecnologia. Empacotador de supermercado por exemplo. Atualmente, já há locais onde é tudo autoatendimento.

Avanço das funções relacionadas à automação, IA e meio ambiente

Por outro lado, todas as funções relacionadas à automação, inteligência artificial (IA) e meio ambiente – com uma gama ampla que vai desde especialistas em energias renováveis até profissionais que trabalhem com resíduos e impacto ambiental – devem ser bastante requisitadas pelo mercado.

— Também há um gargalo muito grande quando falamos em cuidadores de idosos. A longevidade aumentou e, nas próximas décadas, a tendência é o aumento por acesso à informação e remédios. Com isso, a população de idosos vai aumentar muito e, hoje, é difícil ter cuidadores — complementa.

Daniela também aponta bons caminhos para desenvolvedores de aplicativos e YouTubers.

— As pessoas têm usado as mídias sociais para captar renda. Isso não existia. Temos (na PUCRS) até certificação para desenvolver YouTubers.

Algumas atividades que estão obsoletas

Datilógrafo: profissional que redigia textos em máquina de escrever. Hoje, há digitadores, que usam os computadores para redigir ou colocar dados em sistemas.

Lanterninha: profissional que, usando uma lanterna, direcionava o público às poltronas do cinema depois que o filme começava.

Telefonista: antigamente, era necessário ligar para uma central e pedir para ser conectado a determinado número. Quem realizava esse procedimento era a telefonista.

Despertador: sim, bater nas janelas para acordar as pessoas já foi uma profissão muito tempo atrás. Hoje, claro, os smartphones exercem muito bem esta função.

Alfaiates: bastante raros hoje em dia, estes profissionais modelavam e produziam roupas sob medida.

Relojoeiros: também estão escassos, principalmente, por se tratar de uma profissão que passava de geração para geração.

Ascensorista: atualmente, pouquíssimos prédios contam com um profissional para operar os elevadores.

Link da publicação: http://bit.ly/2G8UiIA

Thomas Case & Associados

Ao longo de 41 anos de atividades, nossos especialistas em Transição de Carreira, Outplacement, Coaching, Executive Search e Desenvolvimento contribuem com reportagens para diversos veículos de comunicação do país, por isso, a Thomas Case & Associados é considerada uma das principais fontes para consultas.

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