Fenômeno das carreiras múltiplas cresce na era digital

Profissionais com competências e experiências diversificadas têm boas oportunidades de expandir sua atuação. A reportagem da Folha de S. Paulo, UOL e Folha de Londrina conta com a participação de Marcia Vazquez como especialista no assunto.

Por Lisandra Matias

Na era da indústria 4.0, em que as tecnologias permitem a integração dos mundos físico e digital e os empregos formais diminuem, aumenta o espaço para a atuação em múltiplas frentes. Profissionais com competências diversificadas podem trabalhar em diferentes projetos.

“É o fenômeno das carreiras múltiplas. A pessoa tem uma formação inicial e vai desenvolvendo competências, de forma a expandir suas possibilidades de atuação, diz Marcia Vazquez, gestora de capital humano na Thomas Case & Associados, consultoria de gestão de carreiras.

Isso pode ser feito de diversas formas: por meio de pós-graduação, cursos livres, programas de coaching e até via participação em grupos de estudo e profissionais.

O neurocientista Gabriel Camargo de Carvalho, 27, já esteve em três frentes distintas de carreira. Enquanto cursava a graduação, na Universidade Federal do ABC, foi trainee em um estúdio de comunicação, onde exercia a função de produtor criativo.

Posteriormente, ainda na mesma empresa, enveredou para a área de ciência de dados. “Percebi uma demanda para medição e gestão de dados e, de certa maneira, minha formação me dava as condições para isso”, diz ele.

O neurocientista Gabriel Camargo de Carvalho. Lucas Seixas / Folhapress.

Hoje, Carvalho empreende e é cofundador de uma startup, a Labora, onde desenvolve uma plataforma para conectar pessoas acima de 50 anos a posições de trabalho que envolvem tecnologia.

Alexandre Attauah, gerente sênior de recrutamento da Robert Half, lembra que o fenômeno das carreiras múltiplas também compreende a realização de duas ou mais atividades de forma paralela.

“Vejo um movimento em que as pessoas começam a tomar coragem para transformar um hobby em profissão. Tem um componente de realização pessoal, mas também de ajuda financeira”, diz.

É o caso do engenheiro Danilo Piccolo, 38. Diretor de uma empresa que desenvolve projetos de engenharia industrial, ele também atua como professor universitário.

“Consigo praticar os conceitos que eu ensino e trazer da prática experiências a serem divididas com os alunos.”

Ao exercer várias carreiras, o profissional fica mais interessante para o mercado, porque sinaliza criatividade e a possibilidade de contribuir com mais empresas, diz Vazquez. “O RH hoje recruta olhando para um ambiente em constante mudança, e precisa trazer pessoas para funções que ainda nem sabemos quais são”, afirma.

Links da publicação:

Folha de S. Paulo: http://bit.ly/2MToH2K

Folha de Londrina: http://bit.ly/2Lfy9fp


Geógrafa transforma filosofia de desperdício zero em negócio

Mais do que ter um negócio próprio, a intenção da geógrafa Lívia Humaire, 35, ao abrir a Mapeei – Uma Vida sem Plástico, em setembro de 2018, em São Paulo, era ajudar as pessoas a diminuir a produção de lixo doméstico.

“Isso se aliou a um propósito de vida. Eu queria que essa mudança ganhasse escala”, diz Lívia, que sempre esteve envolvida com sustentabilidade.

Depois de um tempo trabalhando como consultora de treinamento comportamental, ela buscou uma pós em sustentabilidade. Foi quando conheceu o movimento “zero waste” (desperdício zero) e vivenciou a experiência em casa. “Minha família reduziu em 85% a produção de lixo.”

A ideia do negócio ganhou corpo a partir de uma viagem que Lívia fez, em 2017, para Europa e Estados Unidos, quando visitou mais de 20 locais ligados à filosofia.

Mas colocar a empresa de pé não foi simples. Ela conta que estava quase desistindo, devido aos altos custos de aluguel e também porque teria que importar produtos.

“A vantagem que tive foi poder usar o conhecimento que adquiri no movimento.”

Para emplacar o negócio foi essencial contar com uma sócia e com o valor de R$ 16 mil que arrecadou por meio de financiamento coletivo.

Em nove meses, a Mapeei viu seu número de fornecedores passar de 50 para 80. O local hoje tem cerca de 500 produtos, para higiene pessoal, casa, cozinha e lavanderia. A venda online está sendo implementada, e a loja deve dobrar entre agosto e setembro.

“Considero que abri o negócio na hora certa, no contexto da discussão sobre a proibição dos canudos plásticos.”

Link da publicação: http://bit.ly/2WRmgT5


Veja a trajetória de seis empreendedores

Empresários contam como largaram as carreiras para abrir seus próprios negócios

O empresário Facundo Guerra, em São Paulo. Após perder R$ 10 milhões, ele criou um império noturno com uma dúzia de casa que ajudaram a mudar o centro da capital paulista. Lucas Seixas / Folhapress.
O empresário Ian Borges, 32, em viagem à Índia. Ele encontrou propósito de vida fora do escritório e hoje trabalha como coach a distância. Foto divulgação.
O empresário Mário Mello deixou uma multinacional para criar aplicativo que monitora ações de políticos. Foto divulgação.
A empresária Carolina Santos, sócia do espaço Jirwa, espaço dedicado a aula como ioga e pilates. Ela e o marido, Pedro Santos, abriram o negócio depois de uma crise com a carreira. Lucas Seixas / Folhapress.
Lívia Humaire, 35, dona da Mapeei, em São Paulo. Ela aplicou ideias do movimento lixo zero em casa antes de abrir uma loja com produtos para reduzir resíduos. Lucas Seixas / Folhapress.
Clarice Reichstul em sua deli, a Paca Polaca, em São Paulo. Aos 40 anos, a cineasta polonesa resgatou receitas familiares para abrir o negócio. Lucas Seixas / Folhapress.

Thomas Case & Associados

Ao longo de 42 anos de atividades, nossos especialistas em Transição de Carreira, Outplacement, Coaching, Executive Search e Desenvolvimento contribuem com reportagens para diversos veículos de comunicação do país, por isso, a Thomas Case & Associados é considerada uma das principais fontes para consultas.

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