Valorizar as relações humanas

Já teve a sensação de não conseguir processar os pensamentos frente a avalanche de informações diárias às quais estamos expostos? Valorizar mais as relações humanas pode combater essa “sobrecarga”. Confira entrevista dada por Fátima Trindade, vice-presidente da Thomas Case & Associados Belo Horizonte, para o Estado de Minas.

O neurocientista Guilherme Cunha afirma que o problema da “sobrecarga de informações” é relativamente novo para o cérebro (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press 4/6/19)

“Você já teve dificuldade em gerenciar seus pensamentos, como se eles competissem uns com os outros? Aquela sensação de não conseguir processar cada um deles individualmente frente a avalanche de informações diárias às quais estamos expostos? Segundo especialistas da Universidade de Berna, na Suíça, um ser humano conseguiria ler até 350 páginas por dia. Entretanto, o volume de informações geradas pela internet corresponderia a 7.355 gigabytes, o equivalente a bilhões de livros produzidos diariamente”, afirma o mestre em neurociências pela UFMG Guilherme da Cunha M. Santos, neurologista do Hospital MaterDei Contorno e da Santa Casa de BH.

Para Guilherme, também editor do portal Neurocurso.com, o problema da “sobrecarga de informações” é relativamente novo para o cérebro. “A automatização das funções neurovegetativas (respiração, digestão, controle neural do sistema cardiovascular etc.) foi um ganho incrível na história evolutiva do sistema nervoso humano. Fazemos isso sem pensar a cada fração de segundo em um intrincado mecanismo integrativo com outros órgãos e sistemas biológicos. Esse perfil multitarefa, no entanto, fica mais comprometido quando consideramos funções cognitivas superiores. Filtrar, processar e utilizar informações para um determinado fim tem um alto custo cognitivo. Earl Miller, neurocientista do Massachusetts Institute of Technology (MIT), especialista em atenção dividida, afirma que o que fazemos na realidade é simplesmente mudar de uma tarefa para outra rapidamente, criando a falsa ilusão de que somos multitarefa.”

Dopamina

Assim, destaca Guilherme Cunha, fica fácil entender o porquê da chamada mente acelerada: “Uma face do transtorno de ansiedade generalizado, considerado um problema de saúde pública atualmente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em um levantamento de 2018, 9,3% da população brasileira sofre de transtorno de ansiedade, o país campeão na América Latina. Dor de cabeça, palpitações, formigamentos (parestesias cutâneas), angústia e medo inexplicados são apenas alguns dos sintomas”.

Guilherme Cunha explica que se descobriu que o comportamento multitarefa aumenta a produção do hormônio do estresse, o cortisol, assim como a adrenalina, com repercussões negativas globais para o sistema nervoso. “A multitarefa cria um loop de dependência de dopamina, uma necessidade reverberante de sensação de recompensa pela procura por estímulo novo (nesse caso, informação). Para piorar a situação, o córtex pré-frontal tem um viés de novidade, o que significa que sua atenção pode ser facilmente sequestrada por algo novo, comprometendo a atenção seletiva, o botão de REC para memória. Ler um livro ou escanear o Instagram? A resposta está na criação de filtros mentais, para que cada gigabyte consumido possa valer a pena.”

Trabalho

Fatima Trindade, especialista em gestão de carreiras, destaca a importância de promover um ambiente positivo de trabalho (foto: arquivo pessoal)

O pensamento acelerado está no dia a dia e, portanto, faz parte do mercado de trabalho. Aliás, os profissionais, cada vez mais cobrados e com a competição em alta, são “obrigados” a entrar nesse ritmo. Fátima Trindade, especialista em gestão de carreiras e vice-presidente da Thomas Case & Associados, traça um perfil desse trabalhador do século 21: “É tido como um mal do século. O colaborador aparenta ansiedade doentia, tem menor controle de suas emoções, fica refém de pensamentos perturbadores. É uma pessoa que sofre por antecipação, não trabalha bem suas frustrações e se cobra em excesso. Muitos profissionais se tornam mais fechados, inseguros, com consciência crítica baixa, prazer quase nulo e instabilidade das emoções. São pouco participativos, angustiados e com certo humor depressivo. É bom ficar atento para evitar desconfortos, problemas na empresa, podendo vir a ser, inclusive, dispensado”.

A vida é feita de escolhas. Fátima Trindade afirma que, primeiro, o profissional deve ter uma mudança no mindset (atitude mental). “Valorizar mais as relações humanas e a troca de experiências, buscar mais qualidade de vida, lazer e respeitar a saúde. Tentar levar uma vida mais feliz e contemplativa. Importante não se deixar influenciar pelas pessoas que nutrem pensamentos negativos, sempre buscando o bom humor, trazendo a autoconfiança e autovalorização para o dia a dia, independentemente da opinião dos colegas. Enfim, valorizar o que o dinheiro não compra.”

A especialista em carreira avisa que gestores, líderes e colegas podem ajudar trazendo o profissional para mais perto do grupo, incentivando momentos de lazer entre os colaboradores, promovendo ambiente positivo e fazendo as cobranças que forem necessárias de forma mais humana. Além disso, tem sido comum convidar especialistas em mindfulness, coaching, treinamento de competências e lideranças visando ao autoconhecimento e maior entrosamento do grupo. O gestor deve cultivar a ideia de que os funcionários representam o seu maior capital, sendo generoso, altruísta e acolher todos, investindo na felicidade geral. “Empresas saudáveis têm funcionários saudáveis. Todos devemos estar conscientes de que a vida tem ciclos. Não há sucesso e nem fracasso que sejam eternos.”

Link da publicação: http://bit.ly/2xPLnqs

Thomas Case & Associados

Ao longo de 42 anos de atividades, nossos especialistas em Transição de Carreira, Outplacement, Coaching, Executive Search e Desenvolvimento contribuem com reportagens para diversos veículos de comunicação do país, por isso, a Thomas Case & Associados é considerada uma das principais fontes para consultas.

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