O que vale a pena: parar ou seguir?

O exercício intelectual, mais do que o físico, nos garante velocidade de raciocínio, memória privilegiada e atualização constante. Confira mais um artigo exclusivo de Norberto Chadad, Presidente da Thomas Case & Associados, para o app da Você S/A.

Ao atingir um estágio de vida, um eventual cansaço das atividades exercidas há muitos anos, vem à tona uma tomada de decisão: parar ou seguir?

Os recursos médicos disponíveis hoje permitem a todos uma longevidade nunca antes sequer sonhada. Encontram-se no comando de empresas, com frequência cada vez maior, executivos que ultrapassaram a barreira dos 90 anos. A vitalidade, a energia e a experiência que conseguem transmitir são realmente invejáveis.

Então, por que deixar de lado o desafio, a atividade plena, o convívio com o ambiente organizacional, o cansaço saudável que nos assola ao final de uma semana, mas que nos revigora ao sabermos que logo mais estaremos novamente em atividade?

As férias são infinitamente melhor aproveitadas quando sabemos que, depois delas, voltaremos às atividades revigorados, dispostos a vencer os obstáculos que, sem dúvida, cruzarão nossos caminhos.

Trabalho é vida, é satisfação pessoal, é o pleno acesso à realização de nossos propósitos, é a melhoria do convívio familiar e afetivo, é olhar-se no espelho com o orgulho de ser útil a si. Esse sentimento é ainda mais intensificado quando você trabalha naquilo que gosta. A sensação de bem-estar é inevitável.

Fernando Botero, o grande pintor e artista figurativista colombiano de 87 anos, disse uma frase que me serve de alento a cada dia: “A única desgraça que poderia me acontecer seria uma doença que me impedisse de trabalhar”.

Trabalhar é a obrigatoriedade de estar atualizado, ser aberto às inovações, conviver com pessoas que sempre, por menos que possam, nos ensinam algo. Lembre-se também de que o trabalhar é importante, mas desfrutar de outras áreas da vida também é.

Portanto, está clara pra mim sobre parar ou seguir: SEGUIR sempre, com vontade, com energia e, por que não, em qualquer idade ou situação, com muita ambição. Não é verdade dizer “eu tenho tudo e não preciso trabalhar”. O que é tudo? Uma vida vazia, sem desafios, sem o convívio com pessoas diversificadas, não é ter tudo.

Se está desanimado em relação ao seu trabalho, experimente mudar a perspectiva e buscar a sua própria satisfação, seja adquirindo consciência em relação à sua importância, seja se dedicando mais, seja definindo metas para mudar, recomeçar ou se reinventar.

Bem-aventurado aqueles que mantêm uma atividade profissional saudável e permanente, tendo paixão pelo que fazem. Essa é a locomotiva que nos impulsiona e nos dá alegria de viver: o exercício intelectual, mais do que o exercício físico, nos garante velocidade de raciocínio, memória privilegiada, atualização constante. Na contramão desses valores está a ociosidade, incompatível com a saúde e a felicidade.

Termino com uma frase de Voltaire que considero primorosa e sintetiza minha opinião sobre o assunto: “Quanto mais velhos ficamos, mais precisamos ter o que fazer, pois mais vale morrer do que arrastarmos na ociosidade uma velhice insípida: trabalhar é viver”.

Norberto Chadad

Presidente da Thomas Case & Associados

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