As lições da pandemia

Este momento evidencia atitudes e comportamentos, deixando as empresas e os colaboradores expostos. Devemos agir com a razão e cumprir com nossas obrigações profissionais pois, um dia, com esperança de que seja em breve, a pandemia vai acabar e os bons profissionais serão certamente valorizados.

Poucos temas nas últimas décadas mobilizaram tantas discussões quanto o comportamento das pessoas, qualquer que seja a faixa etária, no enfrentamento desta pandemia, que ainda está sendo um pesadelo mundial.

Neste cenário em que tudo é confuso e desmotivador, cabe a cada instituição, empresa ou segmento analisar, com bastante critério e isenção, as reações de seus colaboradores, mantendo contato permanente com todos e exercendo cada vez mais uma liderança motivadora e inspiradora.

A grande e esmagadora maioria das empresas fez alguma redução, seja nos salários seja nos benefícios ou no quadro de colaboradores. É surpreendente, no entanto, que muitos profissionais ainda não valorizem o fato de que quem emprega também sofre com os ajustes que foram necessários, não só pelo fato de não dispensar colaboradores ou cortado salários e bônus como para preservá-los, e manteve o trabalho em home office que é, no mínimo, uma prova de confiança e preocupação com a saúde de todos.

Pego-me, muitas vezes, reflexivo sobre como muitas pessoas se acomodaram neste modelo, transformando esta situação em uma possibilidade de permanente descanso e tranquilidade. Em um momento em que todos precisamos nos esforçar um pouco mais, mesmo com as mentes e os corpos muitas vezes cansados, uns trabalham muito por suas carreiras e pelas suas famílias, em um grau de empatia importante para este período. Já outros, a ficha não cai.

A imprensa noticia que ¼ dos trabalhadores formais teve, desde o início da pandemia o contrato de trabalho suspenso ou a jornada de trabalho reduzida com o consequente corte na remuneração.

Por mais duradoura que seja esta pandemia haverá o retorno à rotina que será penosa para aqueles que estabeleceram para si, uma rotina de “trabalho quando tenho vontade”, pois a realidade será outra.

O retorno para estes será muito difícil e eu chegaria a dizer, impiedoso. Submeter-se novamente à rotina do transporte público, ao controle de horário, à obrigatoriedade do trabalho por nove horas ao dia como reza a lei trabalhista causará, sem dúvida, um desconforto enorme àqueles que estabeleceram para si uma rotina totalmente oposta à realidade.

Ilusão pensar que tudo voltará ao “normal” após a pandemia. As relações mudaram, o estilo de vida mudou, os relacionamentos serão diferentes.

O futuro do trabalho não se resume em home office e nem as ferramentas tecnológicas sozinhas serão suficientes. Organização, criatividade, colaboração e aprendizado são elementos fundamentais para nortear as tomadas de decisão no dia a dia.

O trabalho continuará a ser a mola propulsora da realização pessoal e profissional, e a perda de ritmo por alguns devido ao trabalho em home office trará uma enorme dificuldade na readaptação à rotina.

Nunca, como nos últimos 12 meses, recebemos tantas publicações versando sobre temas que alertam os profissionais sobre o longo distanciamento – nada saudável – do seu local de trabalho. Existem profissionais que, desde o início do isolamento, não retornaram às empresas onde trabalham, mas são vistos e fotografados em aglomerações e tem, religiosa e pontualmente, seus salários depositados. Parafraseando Winston Churchill “Direitos, todos. Obrigação, nenhuma”. Os adeptos desta teoria sentirão naturalmente no retorno os efeitos desta atitude.

Devemos, mais do que nunca, agir com a razão e cumprir com nossas obrigações profissionais pois, um dia, com esperança de que seja em breve, a pandemia vai acabar e os bons profissionais serão certamente valorizados; e aqueles que apresentaram resultados muito abaixo do esperado serão preteridos em eventuais programas de promoção.

Novamente uma reflexão de Winston Churchill, “não são os mais fortes nem os mais inteligentes, mas os mais adaptáveis à mudança que sobrevivem”.

Norberto Chadad

Presidente da Thomas Case & Associados

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