As lições da pandemia continuam

A pandemia trouxe transformações e desafios nos modelos de trabalho, principalmente, o home office. Mas, será que essa modalidade faz sentido para todos? Em seu artigo, Norberto Chadad, levanta algumas divergências de opiniões sobre o tema e pontua dizendo que este período deixará sequelas, cabendo a nós um empenho máximo para que tenhamos o menor prejuízo possível em nossa saúde mental. Confira!

Enganam-se aqueles que idealizam ser o home office um modelo de trabalho que veio para ficar. Não acredito na possibilidade de se perpetuar uma modalidade de prestação de serviços em que muitos, felizmente não a totalidade, consideram que encontraram uma forma de burlar a cobrança que lhes era feita quando o trabalho era presencial.

Os gestores encontram dificuldades na conscientização de grande parte dos colaboradores de que é preciso ter organização, administração do tempo, separação total de eventuais apelos domésticos durante seu horário de trabalho e pelo qual ele está sendo pago.

Alguns estudiosos do tema sugerem que o profissional troque de roupa todas as manhãs como se fosse para a empresa e isto é algo sinestésico pois, desta forma, você tenta sutilmente sugerir ao seu subconsciente de que você está trabalhando, mesmo estando em casa.

Para termos ideia de quão polêmico é o tema, Jack Dorsey, CEO do Twitter diz que a empresa pode trabalhar em casa “para sempre” enquanto Reed Hastings, fundador da Netflix, diz que trabalhar em casa é um “puro negativo”.

Esta divergência de opiniões não significa, por si só, o fim do escritório não doméstico ou a adoção sistemática do home office. Isto significa que há um debate em curso.

Para complicar ainda mais o quadro, as pesquisas mostram que o home office mexeu com a saúde mental dos profissionais. Isto comprova a pesquisa feita através das redes sociais pela Orbit Data Science que mostra que durante a pandemia a aprovação do home office caiu de 70% para 45%.

Esta queda é realmente preocupante, pois a mesma pesquisa mostrou um aumento nos casos psiquiátricos e, assim, grandes empresas estão investindo pesado em programas de saúde mental.

Nós, especialistas em carreira, devemos ressaltar para todos que planejar o dia, exercitar o foco para cumprir metas e manter diálogo constante com a sua liderança são o caminho seguro para que o home office não vire problema para as emoções em vez de ser uma solução.

Jamais, em se tratando de Recursos Humanos, poderemos pensar em fazer do home office um modelo permanente. Trabalhamos com pessoas que precisam do contato humano, da troca de ideias e, por incrível que possa parecer, conhecer fisicamente a empresa que contrataram para assessorá-los.

Nossa experiência em 12 meses de pandemia mostrou que profissionais que não aceitaram o trabalho em home office e se dispuseram a vir todos os dias à empresa apresentaram resultados significativamente melhores do que os que optaram em permanecer em casa.

As estatísticas mostram que 46% das empresas adotaram o home office, o que significa dizer que 54% continuaram normalmente suas atividades e, estas, apresentaram um resultado expressivo superior às primeiras.

Bem, na verdade, tudo dependerá sempre do comprometimento do profissional: nas dependências da empresa ou no modelo home office, o importante é a consciência do dever cumprido, é o respeito à empresa que o acolhe e cumpre rigorosamente com suas obrigações legais e lhe dá a oportunidade de se desenvolver e crescer profissionalmente.

Cada um deve dar o melhor de si em um período tão difícil para todos. A pandemia deixará sequelas e cabe a nós um empenho máximo para que tenhamos o menor prejuízo possível em nossa saúde mental bem como no aspecto profissional, pois as lideranças estão mais atentas do que nunca ao desempenho de cada um de seus comandados.

Norberto Chadad

Presidente da Thomas Case & Associados

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