‘Ela é velha, o que está fazendo aqui?’; profissionais com mais de 40 anos relatam preconceito durante seleções

Pesquisa da Infojobs aponta que 70,4% dos profissionais acima dos 40 anos dizem já ter sentido preconceito por conta da idade durante processos seletivos. Confira a matéria escrita por Aline Macedo, para o g1.

“As pessoas mais novas acham que são melhores que a gente. Tem gente que fala pelas costas: ‘ela é velha. O que está fazendo aqui?’”.

Mais de 10 milhões de brasileiros enfrentavam o desemprego em maio – entre eles, Hilda Pereira de Oliveira Couto, que trabalhava como doméstica em uma casa de família e perdeu o emprego durante a pandemia.

Aos 62 anos, Hilda enfrenta não só um mercado de trabalho restrito, mas também a barreira do preconceito com a idade.

Segundo pesquisa da plataforma de emprego Infojobs, concedida com exclusividade ao g1, sete em cada dez profissionais de mais de 40 anos afirmam já ter sofrido preconceito durante processos seletivos por conta da idade. Ao todo, a pesquisa ouviu 4.558 pessoas a partir dos 40 anos; 79,4% disseram estar desempregadas.

Mesmo com o ensino médio completo, Hilda enfrenta dificuldade nos processos seletivos. Ela diz que, desde a seleção, sente resistência na contratação, principalmente quando os demais candidatos são jovens.

Sem aposentadoria, ela passou os primeiros quatro meses da crise sanitária recebendo o Auxílio Emergencial. Com a ajuda da família, Hilda conta que não tem passado grandes dificuldades, mas gostaria da sua independência financeira.

Resumo:

Diversidade nas empresas

Como as empresas podem criar um ambiente inclusivo?

Como competir com a nova geração?

Como se destacar no mercado de trabalho?

Diversidade nas empresas

 

Quando se trata de aumentar as oportunidades de emprego para pessoas com mais de 40 anos, as empresas não dão as mesmas chances dadas aos mais jovens, segundo 78,5% dos entrevistados na pesquisa do Infojobs.

Segundo Ana Paula Prado, CEO do Infojobs, os processos seletivos são a porta de entrada para a criação de um ambiente de trabalho mais igualitário. Entretanto, isso só é possível por meio da aceitação dos diversos níveis de experiência e a valorização específicas de cada profissional.

Diversidade e inclusão, bem ou mal, virou um negócio que todo mundo quer fazer, mas nem todo mundo faz bem feito. Tem muito empresa falando muito e fazendo pouco”, diz Renan Batistela, especialista em Diversidade e Inclusão da Vagas.com.

Especialistas apontam que as empresas estão preocupadas com a experiência técnica, mas que profissionais com mais idade têm outros benefícios a agregar — como maior equilíbrio profissional e zelo pela ética da empresa.

“Às vezes não é uma questão de capacitação, e sim de preconceito constituído na empresa. Por isso, é fundamental que as empresas tenham políticas de inclusão de idade entre as pautas de diversidade“, diz Batistela.

A pesquisa aponta também que, entre os perfis de liderança que fizeram parte da pesquisa, 99,2% acreditam que os profissionais com mais de 40 anos agregam ao ambiente de trabalho. Mas apenas 12,8% dizem que a empresa tem mais da metade dos trabalhadores acima dessa idade. Em 25,1% dos casos, os maiores de 40 são entre 20% e 50% do total de trabalhadores. Em outros 26,6%, são entre 5% e 20% da força de trabalho.

 

Como as empresas podem criar um ambiente inclusivo?

 

Veja dicas da Vagas.com:

  • Antes de contratar pessoas mais experientes, é necessário criar diálogos com os funcionários sobre o tema, dessa forma, a empresa irá construir um ambiente corporativo inclusivo.
  • Campanhas inclusivas de idade específica para o setor Recurso Humanos, para combater todo e qualquer viés de preconceito.
  • Processos seletivos à cegas, sem informações como, data de nascimento ou idade para que o profissional seja avaliado apenas pelas suas habilidades.

Como competir com a nova geração?

 

O levantamento mostra que 27,1% dos participantes acreditam que é preciso estar mais atualizado para competir com as novas gerações — e 68,4% alegaram que muitas vezes ainda não é o suficiente.

“Mais que o conhecimento, é preciso ter experiência. Mas como, se não dão uma chance?”, questiona Francisco Inácio, de 52 anos, que trabalhou boa parte da sua vida com construção civil e decidiu mudar de profissão.

Francisco recebeu uma proposta para trabalhar como motorista de caminhão pipa, para a qual teve que tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de categoria D, que permite ao motorista dirigir veículos para transportes. Mas, com a pandemia, acabou desempregado, e passou a viver de trabalhos informais, “bicos” e doações.

“Só estudei até a 4ª série. Não tenho muito o que escolher, então vou ter que voltar a trabalhar com obra. É a única coisa em que trabalhei, e mesmo assim não está sendo nada fácil”, conta.

Entre os principais desafios dos profissionais entrevistados, a falta de oportunidade se destaca na pesquisa, com 61,1%. Outras dificuldades práticas, como acompanhar as tendências do mercado (14,1%), se reinventar (12,3%) e lidar com as diferentes gerações (10,8%) também foram citadas.

Para mais da metade (56,2%), é preciso que as empresas vejam o potencial das contratações, enquanto 30,4% acreditam ser necessário romper com preconceitos internos para impulsionar essas contratações.

Como se destacar no mercado de trabalho?

 

Veja as dicas da Vagas.com:

  • Busque empresas que tenham pautas de inclusão de idade.
  • Analise suas habilidades e veja o quanto sua experiência profissional e pessoal pode agregar no que irá trabalhar.
  • Procure se capacitar.

Link da publicação: http://glo.bo/3JbB8R5

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